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Administração Pública

Quadrilha de Bigucci é desafio à
credibilidade da gestão Marinho

  DANIEL LIMA - 7/1/2013

Afinal de contas, a Administração Luiz Marinho é corrupta ou não? Como até agora não temos resposta à indagação sobre as denúncias do Diário do Grande ABC, faço do escândalo envolvendo o empresário Milton Bigucci, presidente da Associação dos Construtores do Grande ABC, o ponto nuclear à reimpressão digital daquela indagação. Seria a Administração Luiz Marinho, prefeito petista de São Bernardo, aliada informal da quadrilha que arrematou uma área pública por ninharia e, mais que isso, irregularmente? Tenho sérias desconfianças sobre uma conexão ardilosa entre a gestão petista e o empresário que forja números estatísticos à frente da entidade que dirige há mais de duas décadas com o objetivo específico de dourar a pílula do mercado imobiliário da Província do Grande ABC.

 

Já faz tempo que entregamos pessoalmente ao Procurador-Geral do Município, José Roberto Silva, executivo de confiança do prefeito Luiz Marinho, uma documentação completa, completíssima, sem margem a dúvida, que consolida as denúncias desta revista digital sobre a quadrilha que adquiriu aqueles mais de 15 mil metros quadrados de terreno entre a Avenida Senador Vergueiro e a Avenida Kennedy. Uma área pública arrematada de forma fraudulenta e por valor muito abaixo do mercado.

 

Até agora não se tem informação alguma sobre os desdobramentos administrativos, ministeriais e judiciais. Mais que isso: o mercador imobiliário Milton Bigucci, articulador de uma rede de relações sociais, econômicas e institucionais que o mantém sempre em posição de relevo nas esferas políticas, administrativas públicas e mesmo policial, nadou de braçadas ao lançar um empreendimento naquele espaço. E anunciar sem o menor pudor que o negócio é um baita sucesso. Nem poderia ser diferente, convenhamos, porque, de cara, saiu com enorme vantagem competitiva ante a concorrência, a qual sufoca, porque o custo do metro quadrado do terreno foi mais que subestimado quando da operação do arremate.

 

Coloco a Administração Luiz Marinho sob suspeita nesse caso específico porque, desde que estive com o Procurador-Geral, passei a encontrar mil dificuldades para novos contatos. Inclusive com o Secretário de Comunicação, Raimundo Silva, intermediário daquele encontro. Todos me fecharam as portas, na exata medida em que se abriram a parcerias regionais com Milton Bigucci. Luiz Marinho chegou ao desplante de, mesmo sabedor das irregularidades muito antes da denúncia formal desta revista digital, participar de uma farsa em forma de livro, dividindo prefácios com o então prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab. Milton Bigucci escrevinhou (isso mesmo, escrevinhou) um livro sobre responsabilidade social, vejam só!

 

Apenas ex-inimigos

 

O que me deixa encafifado – mas nada surpreso, porque são seculares as relações incestuosas entre a banda podre dos mercadores imobiliários e gestores públicos ávidos por recursos financeiros – é a aproximação entre Luiz Marinho e Milton Bigucci, inimigos mortais no início da gestão do petista, em 2009. Havia tanta animosidade entre a Administração Marinho e Milton Bigucci que provavelmente poucos arriscariam qualquer iniciativa que os colocassem em contato senão protocolar, por conta das instituições que dirigem. Instituições, no caso da Associação dos Construtores, é apenas força de expressão, porque se trata de uma entidade sem representatividade, desclassificada pela grande massa de empreendedores do setor imobiliários que veem Milton Bigucci como um autoritário empedernido, uma arrogância incontida e um individualista a prova de qualquer tentativa de coletivismo. Em resumo, Milton Bigucci não tem nada a ver com o grosso dos empreendedores imobiliários da Província do Grande ABC e particularmente de São Bernardo -- a chamada Acigabc não passa de extensão privilegiada das empresas do dirigente máximo da MBigucci.

 

O fato é que a Administração Luiz Marinho tem o dever moral e ético de pronunciar-se oficialmente sobre as relações que mantém com Milton Bigucci, porque a desfaçatez com que aquele mercador imobiliário se movimenta principalmente nos escaninhos do Poder Público é um atestado insofismável de que goza de privilégios que só enrubescem os conceitos de igualdade de tratamento que os contribuintes devem contar dos representantes das esferas oficiais.

 

Por que razão o Procurador-Geral do Município não informa as medidas que obrigatoriamente teria de ter tomado, assim que recebeu o dossiê desta revista digital, para impedir ou providenciar o impedimento daquele empreendimento imobiliário originariamente fraudulento e que causou sérios danos aos cofres da Prefeitura de São Bernardo?

 

Seriedade na rede

 

Acreditaria o leitor menos enfronhado na vida deste profissional de imprensa – os demais, que conhecem minha trajetória, dispensa-se esse tipo de indagação – que as denúncias formuladas são uma idiotice de alguém que faz da rede mundial de computadores um exercício de acusações infundadas? Sim, isso é possível, porque não faltam piratas nesse universo.

 

Exatamente para evitar esse tipo de interpretação, este espaço não se nutre jamais de falsificações da realidade. O que apresentamos ao Procurador-Geral do Município de São Bernardo, que se comprometeu a enviar o material ao Ministério Público para apurações, é um insofismável conjunto de provas materiais que asseguram a este jornalista adjetivar a operação liderada por Milton Bigucci como algo típico de quadrilhas, no sentido criminalístico do termo. Repito a qualificação daquela medida que tanto atingiu os cofres públicos com objetivo duplo: refrescar a memória daqueles que já estão informados sobre as denúncias e, principalmente, fustigar o acusado no sentido de que se dirija, se coragem tiver, às instâncias judiciais, para, mais uma vez, tentar calar este jornalista. Ir aos tribunais, mais uma vez, será uma ótima iniciativa para mim, porque poderei providenciar pessoalmente a juntada de provas das irregularidades que, por ventura ou interesses inconfessos, a Prefeitura de São Bernardo, prefere ignorar.

 

O que sei sobre os últimos tempos de relacionamento entre a Administração Luiz Marinho e o mercador imobiliário Milton Bigucci é que tudo caminha às mil maravilhas, com a extensão dos interesses mútuos a outros municípios que fazem parte do corolário político-administrativo sob a liderança do petista que comanda o partido na região.

 

Pobre daquele que superestimar a eficiência do empresário Milton Bigucci sem levar em conta os entranhamentos com altas patentes políticas, partidárias e midiáticas. O PT tentou desafiá-lo, mas acabou cedendo às tentações e às pressões. Tanto que Carlos Grana, prefeito de Santo André, conhece muito bem, as vantagens de contar com todo o conhecimento técnico, estratégico, econômico e cultural de Milton Bigucci na especialidade de produzir resultados extraordinários à base de terra e argamassas, entre outros condimentos dessa fértil atividade transformada pelo governo federal em ponta de lança à sustentabilidade de um PIB fraquinho, é verdade, mas bastante empregador de mão de obra.  Só faltou combinador com fatores macroeconômicos, porque os micos imobiliários estão espalhados por toda a parte, na Província do Grande ABC e no País como um todo. O Domo não me deixa mentir.

 

Leiam também:

 

Administração Marinho é corrupta ou Diário está completamente louco?

 

MBigucci: como arrematar uma área pública à margem da lei? (I)

 

MBigucci: como arrematar uma área pública à margem da lei? (II)

 

Por que não, além da CPI do Sehal, a CPI de Bigucci em São Bernardo?

 

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De novo, pela quarta vez seguida, Justiça barra excesso de Bigucci

 

Milton Bigucci é o mais votado para responder à Entrevista Indesejada



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