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Administração Pública
Por que apenas Aidan Ravin omite
mensagem sobre Celso Daniel?
DANIEL LIMA 22/01/2010
O jornal eletrônico (e semanalmente impresso) ABCD Maior solicitou aos prefeitos do Grande ABC uma mensagem dos oito anos da morte de Celso Daniel. Queria um enunciado que expressasse o legado daquele que se tornou o maior gerenciador da região, como estou cansado de afirmar.
O jornal ABCD Maior obteve resposta de todos os prefeitos. Menos do prefeito de Santo André, o petebista Aidan Ravin.
Antes de tentar decifrar o enigma da omissão de Aidan Ravin, passo aos leitores as declarações dos prefeitos que não se permitiram descaso.
De Luiz Marinho, petista, prefeito de São Bernardo:
“Administrador inovador e político corajoso, Celso Daniel mudou a cara do ABCD e faz falta”.
De José Auricchio Júnior, petebista, prefeito de São Caetano:
“Era um administrador altamente capacitado. Foi uma grande perda para a política brasileira”.
De Clóvis Volpi, do PV, prefeito de Ribeirão Pires:
“Ele nos deixou sua capacidade de organização e aglutinação. A maior perda política do ABCD”.
De Kiko Teixeira, tucano, prefeito de Rio Grande da Serra:
Não tínhamos afinidade partidária, mas o respeitava muito. Tinha um espírito avançado”.
De Mário Reali, petista, prefeito de Diadema:
“Seu legado é o da ousadia planejada, que não perdeu contato com as realidades local e regional”.
De Oswaldo Dias, petista, prefeito de Mauá:
“Celso era um grande político, que tinha na questão regional sua militância maior”.
Repassadas essas declarações ao ABCD Maior, insisto na seguinte pergunta:
Por quê o prefeito Aidan Ravin não se pronunciou sobre Celso Daniel?
Por que o prefeito Aidan Ravin, que se utilizou do espólio administrativo de Celso Daniel durante a campanha que o levou à Prefeitura, preferiu silenciar-se diante da solicitação da direção editorial do ABCD Maior?
Sei que vão dizer, principalmente os maltrapilhos intelectuais, que estou a perseguir a administração de Aidan Ravin. Sei disso, porque faz parte da entourage desclassificar os críticos sérios, mas deixo isso pra lá porque o que interessa mesmo é retirar de Aidan Ravin uma explicação para a omissão.
Provavelmente ele não a dará, porque Aidan Ravin mantém distância quilométrica daqueles que não o bajulam.
Antes de tentar entender os motivos da omissão de Aidan Ravin, procurarei analisar as declarações dos sensatos.
É difícil escolher a melhor declaração dos prefeitos, porque Celso Daniel era abrangente na grandeza intelectual e administrativa para ser resumido num pensamento enxuto.
Juro que teria muitas dificuldades de fazê-lo. Talvez se insistissem, repetiria o que escrevi, agora com outras palavras, quando, sob forte emoção, preparei aquele texto em 21 de janeiro de 2002 para o então CapitalSocialOnline, veículo digital que mantinha para compensar diariamente os 30 dias que separavam uma edição e outra da revista LivreMercado.
O que escrevi naquele 21 de janeiro e que definiria Celso Daniel com outras palavras hoje?
Que Celso Daniel era um Pelé entre os políticos do Grande ABC porque não necessariamente era detentor da melhor qualidade individual dos melhores prefeitos ao longo da história, mas, como se aproximava de todos no que tinham de melhor, estourou na praça como a maior liderança da região.
Traduzindo: Pelé não cabeceava tão bem como Baltazar, não dominava os segredos da grande área como Romário, não passava em velocidade como Dirceu Lopes, não chutava com a cientificidade espacial de Rivelino, não tinha a contundência de Pepe na bola parada, não lançava como Gerson, não driblava como Canhoteiro, mas reunia todas essas qualidades e outras mais que disparava como melhor do ofício.
Celso Daniel era o Pelé dos prefeitos, como o Pelé dos gramados se tornou o melhor entre todos os craques, exatamente porque concentrava, mesmo que em densidade um pouco inferior, as maiores qualificações de todos eles.
Se o leitor me apertasse para escolher uma entre as seis declarações dos prefeitos que reconheceram as virtudes de Celso Daniel, optaria pelas palavras de Mário Reali, prefeito de Diadema, as quais valem a pena ser repetidas:
“Seu legado é o da ousadia planejada, que não perdeu contato com as realidades local e regional”.
Chegamos agora ao vazio de Aidan Ravin. Supondo que não tenha qualquer tipo de restrição a Celso Daniel, nem mesmo a ciumeira natural dos políticos, ainda mais dos políticos da mesma seara eleitoral, o mínimo que se pode dizer é que sua assessoria de Imprensa é uma calamidade.
Se a questão é outra, se o problema é de foro íntimo do prefeito de Santo André, então danou-se, porque Aidan Ravin se mostrará completamente despreparado para reconhecer quem o supera largamente e o superará sempre, porque nem que morra e reviva mil vezes, dificilmente chegará próximo do conjunto de qualificações de Celso Daniel. Como tantos outros políticos.
A lamentar, tanto num caso quanto noutro (e espero que não hajam outras alternativas) o cheiro de oportunismo de utilizar a história de Celso Daniel na campanha eleitoral para seduzir a classe média mais informada.
Talvez o enunciado de Aidan Ravin não fizesse muita diferença em meio a outras declarações publicadas no ABCD Maior. Entretanto, o vazio que constou daquela página na Internet enseja inquietação que só o tempo tratará de decifrar: estaria Aidan Ravin movido pela idéia de que vai ficar para a posteridade como Celso Daniel e, portanto, não encheria a bola de possível concorrente? Se a resposta for positiva, francamente, chegamos ao extremo do narcisismo político.
No fundo, no fundo, ainda acredito que Aidan Ravin não tem mesmo é assessoria para fazê-lo compreender que não existiria obstáculo algum na condução da Prefeitura de Santo André se tivesse a humildade de reconhecer que Celso Daniel é um fora-de-série ao qual todos os políticos devem render reconhecimento, principalmente porque não há ameaça alguma objetiva de o homenageado usufruir dos depoimentos, já que, até prova em contrário, não está mais entre nós.
O desmonte de vários programas lançados por Celso Daniel – e inclusive a contemporaneidade urbanística que deu a Santo André ares menos provincianos — não deveria ser levado em conta nesse momento particularmente especial que marca o oitavo ano sem o grande líder dos anos 1990 no Grande ABC.
Seria remorso, então, o motivo do silêncio?
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