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Administração Pública
OAB no caso Aidan?
DANIEL LIMA 30/11/2009
Como antecipamos neste site, o empresário Hélio Tanaka, ex-aliado do então candidato a prefeito de Santo André, Aidan Ravin, vai ser ouvido pela Polícia Federal, em São Paulo, no próximo dia 15 de dezembro. Ele tem sérias denúncias a fazer e a comprovar contra aquele homem aparentemente derrotado que o procurou às vésperas das eleições, em Itu, onde é proprietário de uma gráfica.
Aidan Ravin foi a Itu em busca de reforço de material de campanha para a reta de chegada de primeiro turno. Com isso e também contando com o esvaziamento de votos no candidato Newton Brandão, conseguiu impedir que o petista Vanderlei Siraque fechasse a disputa. Faltou pouco mais de um ponto percentual ao candidato petista.
As irregularidades apontadas por Hélio Tanaka são muitas, mas ele está desesperançoso. A mais recente novidade de Hélio Tanaka, anunciada ontem, é que vai tentar sensibilizar a OAB de Santo André. Ele quer que a instituição atue nos próximos dias como mediadora das denúncias, antecipando-se, portanto, ao depoimento à Polícia Federal.
Hélio Tanaka tem chumbo grosso contra o prefeito de Santo André, mas está isolado. A OAB é a parceira com a qual espera contar. Resta saber se contará. Os amigos mais próximos dizem que ele está perdendo tempo porque, entre outras situações que cercam o caso, a OAB não teria interesse em meter-se em assunto tão abrasivo.
De qualquer forma, a nova investida de Hélio Tanaka é um contragolpe que acerta em cheio o alvo das tentativas de desmoralização das provas que afirma possuir.
Para quem não quer ver o empresário indo à frente com densa documentação de impropriedades cometidas na campanha que levou Aidan Ravin à Prefeitura de Santo André, a melhor alternativa é desclassificá-lo. Colocá-lo no banco dos réus de suspeição de idoneidade, de suposto prevaricador, é pouco. Hélio Tanaka foi colocado pelo Paço de Santo André na sepultura rasa dos detratores e inconformados de plantão.
Por conta disso, Hélio Tanaka tem encontrado muitas dificuldades para colecionar parceiros institucionais. Ele confessa que não pretende ir à Polícia Federal apenas como denunciante solitário ou quase solitário dos desvios de financiamento da campanha eleitoral de Aidan Ravin. Ele quer se sentir seguro de que a comunidade de Santo André tem um mínimo de inquietude contra as arremetidas ao arrepio da legislação eleitoral do homem que surpreendeu o PT e ganhou a disputa no segundo turno.
O empresário diz com certa dose de desencanto que a Santo André que tem rastreado nos últimos tempos está longe da Santo André indispensável para elucidar eventuais dúvidas sobre a bateria de provas que dispõe para reafirmar em qualquer instância que Aidan Ravin infringiu agudamente as normas eleitorais.
Embora não falte a Hélio Tanaka solidariedade nos bastidores, ele lembra que publicamente o silêncio predomina em qualquer ambiente. Há espécie de blindagem que torna Aidan Ravin inatingível. Prevalecem os interesses políticos e econômicos transversais que emanam de qualquer Paço Municipal num País em que o Estado ocupa largo espaço. Daí a contra-ofensiva de representantes do Paço Municipal em atingir a honra do denunciante. Daí a decisão de Hélio Tanaka chamar a OAB para um jogo que em outros tempos a OAB já teria tomado a iniciativa.
Embora prefira não invadir o terreno de suposições, Hélio Tanaka admite dificuldades para sensibilizar a Ordem dos Advogados do Brasil, que até o final do ano será comandada por José Sinésio Correia, candidato derrotado nas últimas eleições por Fábio Picarelli, que assumirá apenas em janeiro. Teria José Sinésio a iniciativa de encerrar o mandato colocando a mão nesse vespeiro? E Fábio Picarelli, anteciparia de fato a posse com a aceitação informal do pleito do ex-aliado do prefeito de Santo André?
Ganhará de presente um vale Papai Noel quem acreditar tanto numa quanto noutra alternativa.
Alguns ex-colaboradores da campanha de Aidan Ravin que se mantêm próximos de Hélio Tanaka são enfáticos na recomendação de que o principal denunciante de irregularidades na disputa pela Prefeitura de Santo André deve esperar pouco da OAB local. No mínimo, asseguram, porque o temário é controvertido e a instituição não teria interesse em aceitar o desafio de assumir os custos políticos e institucionais de cobrar esclarecimentos. Se já não se manifestou antes, o que esperar agora que a Polícia Federal está atuando no caso, depois de ouvir seis vereadores do Partido dos Trabalhadores?
E é justamente o depoimento que prestará à Polícia Federal que Hélio Tanaka utiliza como âncora de desejado suporte de representações de Santo André que poderiam caracterizar algo que foge da individualidade ou de interesse grupal de ex-colaboradores do vencedor das eleições.
Não está fora de cogitação Hélio Tanaka dar um troco na sociedade de Santo André que se diz tão interessada em ética e em moralidade mas que, até prova em contrário, se cala indolentemente diante do noticiário. Hélio Tanaka acena com uma espécie de greve de silêncio quando estiver na Polícia Federal. Não por falta de argumentos, elementos e documentos. Simplesmente porque uma sociedade sem aptidão sequer para conferir de que lado está a razão merece mesmo é ser esquecida.
Será que a OAB de Sinésio ou de Picarelli se manifestará?
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