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Administração Pública
Aidan esperneia
DANIEL LIMA 27/02/2009
O prefeito de Santo André, Aidan Ravin, busca desesperadamente ocupar dois núcleos letais para quem pretende não só mostrar a que veio como também até aonde e até quando irá: reage para erigir governança no Legislativo, o que é bem diferente de governabilidade administrativa, e busca os holofotes para pretender dizer que não é vítima de congelamento gerencial, o que não é garantia de credibilidade.
Há quem acredite que Aidan Ravin tenha se safado tanto num ponto quanto em outro. Esquecem-se de separar esparadrapos de cirurgias.
A troca de liderança do governo na Câmara Municipal faz parte de acerto com o PSDB para impedir caos de governabilidade, mas incide no risco de atolar-se no varejismo legislativo. Sai o petebista Israel Zekcer, do mesmo partido do prefeito e sem justificativa alguma para ocupar o cargo, exceto o isolamento do titular do Paço, e entra o médico Marcelo Chehade.
Houve intervenção branca de aliados estaduais dos tucanos e dos democratas para que Zekcer facilitasse retirada. Nada mais fácil, levando-se em conta que a mulher é vice-prefeita. O PSDB local, de Paulinho Serra, estava pronto para o confronto com Aidan Ravin, emitiu sinais de que debandaria após apoior a maior zebra eleitoral na campanha do ano passado, mas acabou se dobrando a negociações que não diferem em essência de qualquer outra administração.
Só quem não participou desse acerto local é o DEM de Raimundo Salles, que por pouco não foi ao segundo turno e que controla bancada de três vereadores. Salles conseguiu o que pareceria impossível: fez mais vereadores do que o candidato que passou para o segundo turno. Sim, porque Aidan Ravin só tem dois petebistas a lhe dar respaldo entre os vereadores.
Aliás, ainda sobre Raimundo Salles, o convite aos leitores é que acessem o site do jornal Reporter Diário (www.reporterdiario.com.br) para companhar uma entrevista das mais lúcidas do democrata. Salles transmite a sensação de que tanto a derrota lhe fez bem como o passar do tempo o torna mais equilibrado publicamente. Ele tem conteúdo.
A outra intervenção de Aidan Ravin relatada pelos jornais impressos e virtuais desta sexta-feira dá conta da decisão de pressupostamente reforçar a secretaria de saúde de Santo André com a contratação de 676 profissionais. Pretensamente é o termo mais correto, porque a maior parte das contratações anunciadas tapará os buracos deixados pelas ONGs que até então atuavam no setor e outra parte substituirá horas extras de profissionais já em atividade.
A contratação da ONG Instituto Nova, recomendada por tucanos e democratas da Capital, mostra mais que a tutela que Aidan Ravin passa a sofrer por conta do despreparo para comandar Santo André. O prefeito fez da entrevista coletiva um marketing de ocupação de espaço na mídia.
Lamentalmente, em nenhum momento Aidan Ravin referiu-se ao cavalo de batalha da campanha eleitoral do ano passado, quando trombeteou a constituição do Poupatempo da Saúde, ferramenta que envolveria médicos com clínicas e consultórios de baixa demanda.
Não faltam interpretações contrárias à idéia geral de que o prefeito de Santo André está acertando o passo para aliviar a barra de governabilidade e governança. Aidan Ravin estaria contratando mais complicações.
No Legislativo, o acirramento da disputa com um adversário encardido como o PT e de uma oposição discreta mas exigente como a do DEM causou o rebaixamento da arrogância do Executivo. Não é nada descabida a interpretação de que Aidan Ravin entregou os anéis para os tucanos como primeiro novo passo para buscar maioria no Legislativo porque estaria pronto para oferecer as cuecas aos demais oponentes que lhe dariam maioria parlamentar.
Já quanto ao setor de saúde, provavelmente Aidan Ravin esteja estimulando o desenrolar de um tapete vermelho de atendimento a mais de 300 mil andreenses que não contam com sistema de previdência privada. Mesmo do alto de uma especialidade que de fato deve ser respeitada no prefeito, médico por profissão, a avaliação é que Aidan Ravin conhece muito pouco de finanças públicas, de demandas sociais exacerbadas em tempos de quebra do PIB (Produto Interno Bruto) e de aumento do desemprego e, por isso, mesmo, desconsidera a puxada no freio orçamentário que os municípios brasileiros viverão nas próximas temporadas. Além de tudo isso, saúde pública é um drama mundial, mesmo nos países ditos de economia social de mercado, como os europeus.
Quem promete o céu sem purgatório provavelmente se esquece do inferno.
Do ponto de vista político e gerencial, seria estultice afirmar que Aidan Ravin errou tanto numa quanto noutra medida, mas quando uma administração chega ao ponto que chegou no começo de uma jornada longa, como são quatro anos de mandato, mesmo o acerto tópico e circunstancial carrega explosivos demais de variáveis que podem lançar aos ares viabilidades práticas.
O problema maior da administração de Aidan Ravin é que o farto material de irregularidades de financiamento da campanha que o levou à Prefeitura independe de maioria na Câmara e mesmo de, num lance de sortilégio, do fim dos dramas na área de saúde.
Aidan Ravin é refém de uma corrida pelo poder sem base documental legal para enfrentar a Justiça Eleitoral.
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