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Administração Pública
Aidan asfixiado
DANIEL LIMA 20/03/2009
Degringolou aparentemente sem conserto a tentativa de resolução intramuros do caso que, oficializado ao Ministério Público Eleitoral de São Paulo, pode culminar com a cassação do mandato do prefeito de Santo André, Aidan Ravin. A série de artigos neste espaço sobre o assunto e que para alguns desinformados ou engajados na imunidade da maior zebra eleitoral do segundo turno no Brasil não passaria de perseguição é um acompanhamento íntimo do temário mais importante da política regional neste ano. Se temesse cara feia, ameaças e pressões seria colunista social ou cuidaria de publicação de amenidades, nas quais celebridades e papagaios de piratas, mais estes do que aqueles, dão até o fígado para aparecer.
O que parecia confluir em direção a águas mansas para um acerto de bastidores que substituísse omissões de prestação de contas eleitorais, crime com rigorosas penalidades, desabou ou está a ponto de desabar de vez.
Falta à administração de Aidan Ravin um grupo gerenciador de crise. Nada surpreendente, porque escasseiam gerentes de tantas outras coisas.
O acirramento de ânimos numa disputa que envolve além de petistas empedernidos também ex-aliados e captadores de recursos financeiros da campanha de Aidan Ravin estaria ultrapassando os limites ao restabelecimento de relações.
Para entornar de vez o caldo de complicações, o deputado Campos Machado, presidente estadual do PTB, partido do prefeito Aidan Ravin e um dos principais responsáveis pela operação de guerra que reverteu o resultado do primeiro turno em Santo André, desandou a hostilizar os adversários.
Campos Machado chegou ao ponto de despertar entre petistas regionais mais moderados o apetite de destronar Aidan Ravin, ação preliminarmente contrária ao desejo dos principais caciques do partido no Grande ABC.
Campos Machado fez o papel de incendiário quando se recomendava apaziguamento dos ânimos. Levou para páginas de jornais um grito de guerra sem se dar conta de que o comandante do batalhão, no caso o prefeito Ainda Ravin, não conta sequer com fiéis escudeiros. Há assessores diretos de Aidan Ravin com os pés em duas canoas e, mais lastimável ainda, entendem que o pé direito na canoa do prefeito não pode deixar de ganhar musculatura dialética para impulsionar o corpo à embarcação adversária.
Raposa antiga no galinheiro da política e na articulação de declarações que encantam a imprensa sempre à cata de informações bombásticas, principalmente quando a mensagem interessa para corroborar com a linha editorial adotada, Campos Machado consta da lista de homens públicos que ajeitam a gravata e sorri para a posteridade até quando abrem uma geladeira. O problema no caso Aidan Ravin é que se esperava um acordo com a discrição de frade beneditino.
Apesar de até consultores jurídicos de Aidan Ravin acreditarem que a situação está periclitante, há entre os poucos aliados de fato do prefeito de Santo André a expectativa de reversão do quadro.
É claro que a reviravolta custaria muito caro — muito além da governabilidade já em frangalhos.
Os adversários petistas e também ex-aliados desdenham dessa perspectiva. Os primeiros porque não querem transformar Aidan Ravin em vítima de choradeira de quem pretende levar a disputa para o terceiro turno. Já ex-aliados sustentam que a denúncia do PT ao Ministério Público Eleitoral, acolhida para investigações, é café muito pequeno perto do que armazenaram.
Embora tenha adotado a compartimentação editorial de capítulos para determinados assuntos, nesse caso específico me sinto como novelista enroscado. O enredo é mais que imprevisível, por mais previsível que pareça ser hoje. Nas telenovelas, alterações por conta da demanda da audiência e dos interesses publicitários em jogo são medidas costumeiras. No caso Aidan Ravin o que temos é um dramalhão fora de controle, com idas e vindas de extremistas armados de explosivos e de contemporizadores sem objetividade e poder resolutivo.
Aguardem o próximo capítulo. E desconfiem de tom amenizador nos próximos dias. O circo está em chamas.
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